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segunda-feira, 27 de abril de 2009

P.a. da minha vida

(Lugar A: ignorar 1 pessoa; ir até lugar B: ignorar 4 pessoas; ir até lugar C: ignorar 7 pessoas...)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Sobre o debate e sua importância

O debate é aquilo que você costuma comentar em rodinhas e que te deixa bonzinho e corretinho perante seus outros amigos vermelhos e não tem importância alguma.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Stupidity III

"Uma vez Flamengo, sempre Flamengo...", rindo e apontando, sempre que descobrem que você "torce" pelo Vasco.

Pelo menos dessa vez teve volta. Nunca deboche de quem paga uma diária de hotel muito mais cara que a sua. Dói.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Fight for survival and see if you're worth it.



Keep'em coming!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

A tropa de elite vai pegar você

"Sou dos que acham que o Bope, o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro, saiu fortalecido do excelente filme de José Padilha, seguramente um dos cinco melhores já produzidos no país.

Os policiais do Bope aparecem na tela como heróis. Por uma razão muito simples: o filme reflete o ponto de vista do Capitão Nascimento, personagem de Wagner Moura, em grande atuação. Ele é um policial do Bope e enxerga tudo a partir dessa condição - a polícia, os bandidos, a classe média. O personagem também narra o filme - detalhe que contribui bastante para sua visão ganhar a empatia do espectador.

O Bope é apresentado como um braço da PM que não se corrompe e que tem soldados idealistas, destemidos, bem treinados. O Capitão Nascimento é um Aquiles. E seus guerreiros fardados de preto, objetivos, eficientes, são um pouco como os mirmidões, a tropa de elite dos gregos.

Logo no início do filme, Nascimento diz que há três tipos de policial no Rio de Janeiro: os que se corrompem, os que se omitem e os que vão para a guerra. O Bope é mostrado como o abrigo dos guerreiros. Dos heróis espartanos que passam por um treinamento duríssimo, cometem excessos na batalha - tortura, truculência, execução sumária -, mas não deixam de se ver como heróis. Em oposição, a PM convencional aparece no filme como o epíteto da banda podre, da polícia que flerta com o crime e também é bandida. Os PMs são como Orcs - seres corruptos, incompetentes, despreparados.

O diretor de 300, Zach Snyder, questionado por ter impresso a seu filme uma visão pró-gregos, glamourizando Leônidas, o rei de Esparta, e demonizando Xerxes, o rei da Pérsia, se defendeu alegando que sua obra era de ficção e que tinha feito uma escolha: contar a história a partir da visão que os espartanos tinham de si mesmos. De modo semelhante, o filme de Padilha escolhe um ponto de vista. E só é uma grande obra de arte, muito antes de ser um manifesto político, porque tomou essa decisão - que, sublinho, considero muito mais estética que ideológica. Ressalte-se que Tropa de Elite não se assume inteiramente como ficção. Faz questão de sublinhar que se baseia em relatos de policiais.

A opção artística de Padilha é original na produção brasileira: olhar o Brasil pelos olhos de um policial. Ele poderia ter escolhido o ponto de vista dos moradores das favelas - o que Cidade de Deus fez com maestria. Ou o da classe média - como qualquer novela. Ou o ponto de vista acadêmico de esquerda, que por tantos anos definiu o olhar do cinema nacional. E teria feito um filme ruim. Felizmente, tomou um caminho que o afastou de discursos edificantes, denúncias baratas, remorsos abastados. Tropa de Elite é uma obra madura.

No debate que tomou conta do Brasil, Padilha tem sido confundido, a meu ver, com o Capitão Nascimento. Há quem veja nas falas do personagem as opiniões do diretor. É claro que, da mesma forma que Madame Bovary é Flaubert, o Capitão Nascimento é Padilha. Apesar disso, um não pode ser tomado pelo outro."

Adriano Silva (Época, 15/10/07)

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Minhas pernas doem, só sinto preguiça

My Peculiar Aristocratic Title is:
Imperial Majesty Camila the Extemporaneous of Studley Roger
Get your Peculiar Aristocratic Title

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Mainardi, Paulo Francis, Olavo de Carvalho, shoo shoo

Vermelhos adoram apontar com os dedinhos sujos de jornal e molho de sardinha em lata deles os reacionários que dizem que o Brasil não os merece. Eu agradeceria a eles por pensar isso de mim. Estou aqui agradecendo, viu? Muito obrigada. Afinal, o que o Brasil tem feito pra me merecer? Dobradinha? Velox? Micareta?

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Eu sustento três famílias

"Lá em casa é assim: tem minha mulher e meus dois filhos, de 1 ano e meio. Gasto muito dinheiro com eles. Frutas, painhas, fraldas, biscoitos, laticínios de várias cores e sabores, produtos de higiene e de limpeza em quantidades industriais, roupinhas e calçados que duram poucas semanas. Também gasto um pouquinho comigo, confesso. Tênis, camisetas e livros, basicamente. Pago impostos pra dedéu. O Brasil me brinda com quase 80 taxas. A carga tributária brasileira, que bateu em inacreditáveis 39,69% do PIB em 2006, é um acinte. Significa que os cofres públicos devoram quase R$4 de cada R$10 que circulam pelo país. Tenho certeza de que, com tudo isso, sustento um estafeta de repartição em alguma estatal deficitária por aí. Ou, quem sabe, uma ascensorista num prédio público de três andares no centro depreciado de uma cidade desimportante qualquer. Assim como aquelas pessoas que adotam uma criança de modo remoto por meio de uma instituição benemerente e um dia viajam para conhecer seu afilhado, pretendo um dia pegar um avião e visitar esses barnabés que mamam em minha teta. Mal concluo a lista de mordidas que tomo no país e do país para sustentar minha família como acho que devo e já percebo que sustento uma segunda família. Tenho uma babá. Ela é viúva e tem quatro filhos, a mais velha com 16 anos, o mais novo com 6. A única fonte de renda dela - que será avó dentro de alguns meses - para sustentar sua família, incluindo essa nova boca, é o salário que pago a ela, que é uma parte de meu salário! Ainda estupefato com minha inusitada (para mim) e não reconhecida (pelo governo) relevância econômica para a nação, com minha involuntária contribuição para a distribuição de renda - a minha renda! - no país, me dou conta de que sustento uma terceira família: a de nossa diarista. Ela não tem filhos. Mas sua renda familiar é o que lhe pago, outro naco de minha renda familiar. Esta história, é claro, não é só minha. É sua também. Funciona assim: se você não tem nada, o governo não ajuda. Quando você começa a ganhar um pouquinho, o governo cola em você, com um sorriso de político no rosto e uma pistola de bandido empunhada contra sua cintura. Milhares de famílias brasileiras são sustentadas por outros milhares de famílias brasileiras - as mesmas que também sustentam o governo. E a si mesmas, se conseguirem, se sobrar um troco. Na prática, o poder público estatiza as receitas que puder aferir junto a você. E privatiza por decreto parte substancial do ônus da pobreza vigente do país, derramando sobre seu ombro um quinhão de compatriotas carentes a sustentar."



Adriano Silva (Época, 17/06/07)